As crianças já não são o que eram
Na sequência do último texto do Callavero, que fala sobre a aprovação de uma lei que proibe os pais de dar palmadas nos filhos, quero deixar aqui algumas considerações sobre o assunto.
Para começar, é claro que essa lei é estúpida. Não faz sentido porque uma palmada não pode ser considerada violência.
Estou mesmo a ver que apartir de agora todas as crianças que levarem porrada quando fizerem merda vão apresentar queixa na polícia, e foder a vida aos desgraçados dos pais que só lhes queriam dar uma lição.
Mas, afinal, que putas de crianças são estas que já nem um estalo podem levar???????
São um bando de maricas, é o que são!
No meu tempo levar nos cornos do pai era um motivo de orgulho. O miúdo que levasse a maior coça era admirado. As nódoas negras eram medalhas cravadas no peito, nas costas, nas pernas etc.. ao jeito de um general.
Quando eu era miúdo e fazia merda da grossa, dizia logo aos meus amigos, com um sorriso de orelha a orelha, que quando chegasse a casa já ia levar nos cornos. E eles olhavam-me com inveja. O mesmo sucedia quando eram os outros que iam levar.
Já no dia seguinte, era uma alegria contar aos amigos como é que nos desviávamos do cinto e daquele estalo que já se preparava para nos estender no chão. Éramos uns verdadeiros heróis. Não faziamos queixa a ninguém porque essa merda era abichanada.
Hoje em dia se levam um estalo de raspão fazem queixa a toda a gente. A professora chama os pais à escola, faz queixa à polícia, à assistente social etc.. é o caralho para os pais!!!!
Isto acontece porque os miúdos de agora já não fazem o que nós fazíamos e não levam a vida que nós levavamos. Agora é tudo mais fácil e práctico. São as Playstation, os Game Boy, as motinhas, os carros etc.. Estes cabrões têm tudo o que querem.
Se querem jogar futebol ja não o fazem na rua (a verdadeira escola), vão para as escolas de futebol do Simão, do Cadete, do Baía e outros. Têm equipamentos, chuteiras, sacos e caneleiras. No nosso tempo era na estrada com umas sapatilhas todas fodidas a fintar carros, motas, bicicletas, velhotas, enfim, tudo o que aparecesse no caminho para a baliza.
Naquele tempo usavamos as caricas e jogavamos com elas. Tinhamos berlindes, carrinhos, piões e iô-iôs. Jogavamos ao pica (ah, que saudades do pica...), ao jogo sem bola e outros jogos inventados na hora. Usavamos a imaginação ao máximo.
Eu e os meus amigos tinhamos um jogo que era composto por duas equipas de 3 ou 4 elementos a atirar pedras (!) uns aos outros a uma distância de uns 15 metros. Quando alguém acertava numa cabeça era o caralho, havia porrada entre as duas equipas (as regras diziam de forma clara que não se podia atirar à cabeça). No fim íamos todos lanchar a casa do que tinha levado com a pedra nos cornos porque ele precisava de ser tratado e os outros estavam cheios de fome.
Na altura dos santos populares fazíamos cascatas, pedíamos moedas para os santos todos e depois íamos foder o dinheiro em chicletes Super Gorila.
É por tudo isto que hoje somos os homens que somos. Levavamos nos cornos, fazíamos exercício, fumávamos, andávamos de bicicleta. Fazíamos tudo o que nos desse na puta da mona. Se não fosse assim, hoje não tinha o cabedal que tenho... era muito mais magro e pequenino.
De certeza que a próxima geração de miúdos vai ter muito mais paneleiros do que a minha e dos meus amigos.
Qual dos Mosqueteiros é que nunca fez nada disto que eu já escrevi? Qual de nós não fez merda? Bem, lembrei-me agora do Domi....
Por isso meus amigos, temos que lutar contra esta lei senão os nossos filhos podem vir a tornar-se rotos. Isto é um problema porque se não lhes batemos, viram rotos, se viram rotos, têm que levar nos cornos porque filho meu não pode cagar para dentro.
Por um futuro com menos paneleiros.
Lutem amigos, não desistam!!!!!!!!!!!!!!!
Abraços!!!!

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